Por Marco Haurélio

Malone aceita o
convite e, com mais dois personagens, lord Roxton e o cientista ortodoxo
Summerlee, se envolverá numa perigosa aventura da qual não sabe se sairá vivo.
A princípio, um dos motivos de seu engajamento na expedição é a paixão que
nutre pela jovem Gladys, a quem deseja impressionar. Como narrador do romance,
é ele que levará o leitor a compreender a personalidade de Challenger e sua
obstinação em provar uma descoberta que a ciência oficial insiste em
desacreditar.
Escrito em 1912, O mundo perdido apresenta-se como um
contraponto à mais célebre criação de Conan Doyle, o detetive Sherlock Holmes.
É um romance de aventuras e, principalmente, um dos melhores textos de ficção
científica já escritos. Não dá para calcular a influência que este livro vem
exercendo, ao longo do último século e do atual, na mentalidade coletiva. Vale
dizer que, sem O mundo perdido, os
filmes de dinossauros não seriam os mesmos. A primeira produção, filmada nos
Estados Unidos e dirigida por Harry Hoyt, foi feita para o cinema mudo, em
1925. Nela, Sir Arthur Conan Doyle interpreta a si mesmo. Em 1960, a história
foi novamente filmada, desta vez sob direção de Irwin Allen, que dirigiria
também o clássico Inferno na Torre. Sem contar a série britânica, filmada entre
1999 e 2002, que, apesar de trazer o quarteto protagonista do romance,
apresentava, em seus roteiros, viagens no tempo, vampiros e outras inovações
pouco criativas. No cinema, temos, ainda, a trilogia Parque dos dinossauros, de Steven Spielberg, baseada na obra do
escritor Michael Crichton, em que a influência da obra de Conan Doyle salta aos
olhos.
Assim, esta adaptação
em cordel, empreendida pelo talentoso poeta Paiva Neves, talvez seja a mais
inusitada de todas as obras derivadas do texto original. Para escrevê-la, o
autor deslocou-se de Maracanaú, Ceará, onde reside, até Itapipoca (que significa
“pedra lascada”), no mesmo estado, curiosamente conhecida como a “terra dos
dinossauros”. A sua versão em cordel também traz como narrador o jovem Malone,
mas a apresentação, feita no início, é digna de nota, pois personagem e autor
fundem-se para explicar a forma com que a história é (re)contada:
Pelo mundo do cordel
Meu sucesso é garantido.
De versos metrificados
Meu poema está munido
Para narrar os perigos
Do velho mundo perdido.
Paiva Neves, por vezes, se aproxima do original,
quando, ao contar o ataque sofrido pelo grupo, esbanja criatividade e domínio
técnico na arte de versejar:
Era como um toldo enorme,
Pescoço como serpente.
Olho vermelho, feroz,
Parecia tocha ardente.
Um pterodátilo vivo
Sobrevoou sobre a gente.
Motivos, portanto, não faltam para os leitores de
todas as idades conhecerem ou revisitarem o platô amazônico, na companhia dos
quatro intrépidos aventureiros, liderados pelo professor Challenger.
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